Grande menina, Pequena Mulher


Quando eu era menor amava andar de bicicleta e jogar queimada. Era meu lado menino. Amava e ainda amo viu? adesivos, papéis de carta, figurinhas, tudo que tinha cheirinho e brilho. Era meu lado consumista e meiga. Tinha paixão por banca de jornais, comprava gibis, revistinhas, álbuns e afins. Era meu lado ‘quero ser alguma coisa na vida de bom’. Estou tentando até esse exato momento e prometo continuar. Era de praxe brincar de casinha, ver xou da Xuxa, vestir as roupas de mainha e me maquiar. Era meu lado mulher, realista. Na adolescência eu ainda jogava queimada, mas também queria me reunir com as amigas para conversar e falar de roupas, televisão e revistas. Mas eu era sempre a inteligente que não se aprofundava muito. Entende? Deixa eu explicar: Enquanto elas sonhavam com o lindo do sétimo ano eu encarava a realidade nos livros, nas notícias. Sim, eu era a única que assistia notícia com 13 anos. Também falava de meninos, mas não era apaixonada apenas por isso, era segura e determinada, meu mundo era meu. Fui crescendo, conhecendo pessoas e me interessando cada vez mais por cosméticos, salto alto, escova, rímel e brincos. Não vivo sem. Nessa fase eu já me direcionava mais para os mocinhos, e de tão meiga acreditava fácil fácil nos seus lero-lero. Eu também frequentava as festas, mas continuava fazendo coisas de menina, estudava, lia, colecionava adesivos, minhas bonequinhas e pelúcias.
Depois de certo tempo, bem depois....
Cresci de verdade.
Porque o mundo cobra a pequena mulher. A grande menina fica assim, confusa, querendo sair ainda sempre que pode pra dividir certas historinhas, figurinhas, joguinhos, suspiros e borboletas no estômago. Mas ela continua com tudo que é fofo, meigo, cheirosinho e pequeno. Com pensamentos de castelo, ao redor de ursinhos e poemas. Pra viver bem, a pequena mulher precisa da segurança da grande menina. Ela traz a força racional, a esperança e flores que vem do peito. Viver àquelas fases de quando eu brincava é mais ou menos como hoje, embora as dores e alegrias tenham efeitos diferentes. E prefiro ser assim, porque ser mulher e adulta o tempo inteiro é muito chatooo.




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